Som do Dia

quarta-feira, março 09, 2011

Vivendo, Todos Os Dias, O Primeiro Amor

Por: Rev. João Carlos da Silva Junior


"Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor"
(Apocalipse 2:4).

Spurgeon disse: "Nós temos as fotos de nossos meninos, tiradas em todos os aniversários... e assim, de um relance, nós os vemos desde a primeira infância até a juventude. Supondo que, de maneira semelhante, fotografias de nossa vida espiritual fossem tiradas e guardadas, haveria um progresso regular, como nesses meninos, ou estaríamos ainda em um carrinho de bebê? Poderiam algumas mostrar um crescimento, a princípio, e logo depois uma paralização? Ou, um crescimento até determinado ponto e um retrocesso a seguir?”

Muitas vezes nos sentimos empolgados logo após o encontro pessoal com nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Ele opera grandes transformações em nossa vida e temos grande prazer em nos envolver com tudo que diz respeito à Sua obra. Ir às reuniões, participar dos momentos de oração e estudo da Palavra, estar presente nos trabalhos de evangelização, tudo é regozijo para nós. Afinal, os tempos de incertezas ficaram para trás e agora temos uma nova perspectiva de vida e felicidade.

• Mas, quanto tempo dura a alegria do primeiro amor?
• Estamos nós prontos para as passagens por desertos espirituais?
• Continuaremos animados ao enfrentarmos as tempestades que se abatem tanto contra as casas firmadas na areia como contra as que se estabeleceram sobre a rocha?
• Estaremos preparados para os dias de angústia da mesma forma com que estamos preparados para os dias de tranquilidade?

Muitos não conseguem ir além dos primeiros passos, sucumbindo logo ao primeiro obstáculo. Outros conseguem caminhar algum tempo, enquanto tudo lhes parece festa. Há os que caminham muito, porém, da mesma forma que crescem espiritualmente, até servindo de exemplo para os mais inexperientes, acabam retrocedendo e voltando ao ponto de partida, onde um recomeço é muito mais difícil.

Em suas atividades diárias, muitos “cristãos” traem seu amor maior com frequência. Com os lábios afirmam que Jesus é o Senhor, mas com os atos demonstram lealdade ao dinheiro, ao sexo, e a seus interesses pessoais.

Muitas pesquisas feitas por institutos de pesquisas respeitados como o Gallup e o Barna Group são chocantes. O teólogo evangélico Michael Horton lamenta dizendo: “apresentam resultados de pesquisas e mais pesquisas que os Cristãos evangélicos estão ao ponto de assumir estilos de vida tão hedonistas, materialistas, egoístas e imorais quanto aos do mundo em geral. Apenas 6% dos evangélicos, por exemplo, são dizimistas, Josh McDowell destaca que a promiscuidade sexual da juventude evangélica é apenas um pouco menos ultrajante que a dos jovens não evangélicos”. Alan Wolfe famoso estudioso contemporâneo do Centro Boisi, para Wolfe o evangelicalismo atual exibe “um desejo tão forte de se amoldar à cultura das redes hoteleiras e da música popular que perde a distinção que já teve”. Ele diz que “há uma diferença cada vez menor entre uma atividade essencialmente secular, como a da indústria do entretenimento popular, e os esforços que fazemos do tipo ‘traga-os para dentro a qualquer custo’ das nossas igrejas evangélicas”.

Sinceramente, em minha simples opinião, se é que ela vale alguma coisa na sua vida, o nosso problema é que não vivemos, todos os dias, o primeiro amor. Não nos surpreende mais a conclusão a que chegou George Barna: A cada dia, a igreja tem se tornado mais e mais parecida com o mundo que ela supostamente busca mudar”. Vivemos uma tragédia maior do que a região serrana do Rio viveu a cerca de um mês. Vivemos a tragédia que o Senhor Jesus já nos prevenia, que aconteceria nos últimos dias: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará”. (Mateus 24:12). Tragédia essa que é resultado da falta de integridade interna. È uma tragédia para nós evangélicos declararmos que a conversão pessoal e novo nascimento são fundamentais em nossa fé e ao mesmo tempo desafiarmos os padrões morais bíblicos ao viver quase tão pecaminosamente quanto aos não cristãos.

Se nós cristãos não vivermos tudo aquilo que pregamos, a nossa mensagem de amor torna-se como um todo uma farsa. Infelizmente temos que afirmar no que se refere ao amor, ao compromisso, a sinceridade, a seriedade, ao desprendimento ou a qualquer outra coisa que façamos, quando se trata de doação pessoal o nosso cristianismo fracassa, porque os discípulos de Jesus dos dias de hoje não agem como ele.

Viver todos os dias o primeiro amor, passa pelo fato de entendermos profundamente que somos amados por Deus antes de o amarmos. É fazer do Senhor e do seu amor por nós o nosso valor pessoal. Devemos definirmo-nos radicalmente como alguém amado por Deus. O amor de Deus por você e o fato dele haver o escolhido constituem o valor que você detém. Aceite esse fato e deixe que Deus passe a ser o que há de mais importante em sua vida. Abandonar o primeiro amor, é a pior decisão que um ser humano pode tomar na sua vida. Abandonar o primeiro amor é abrir mão, é deixar o direito a todas as bênçãos, cuidado, amor, apreço, assistência, sabedoria, paz, conforto, consolo e toda a sorte de benção espirituais nas regiões celestiais que só são garantidos aqueles que amam radicalmente a Deus.

Um grande exemplo disso que estamos falando, é a igreja de Éfeso, essa igreja é apresentada por João lá em apocalipse como uma igreja irrepreensível, como uma igreja capaz de suportar a perseguição, como uma igreja que zela pela vida moral e doutrinária de seus membros, se você olhar o perfil daquela igreja, ela é o modelo de igreja que todo pastor sonha, mas ela recebe uma critica muito dura de Deus, e a critica diz: “tenho porém contra ti que abandonastes o primeiro amor”. Perceba, o julgamento de Deus sobre aquela igreja não foi teológico ou doutrinário, aquela igreja possuía uma doutrina correta, diz João que eles não suportavam aqueles que se declaravam apóstolos e não eram apóstolos de verdade, o julgamento não foi por falta de experiências espirituais, diz João que eles serviam ao Senhor no meio de tribulações e sofrimentos, o julgamento de Deus não foi sobre a falta de praticar boas obras, ou de não ser generosa, João diz que Éfeso era uma igreja operosa, trabalhadora, as obras eram conhecidas pelo Senhor, diz lá conheço as tuas obras, o julgamento Divino sobre aquela igreja foi um julgamento afetivo. Tenho porém contra ti que abandonastes o primeiro amor! A censura de Deus tem haver com o coração da igreja, com o seu amor. O que Éfeso nos lembra? Que é plenamente possível sermos teologicamente corretos, é plenamente possível possuímos varias experiências, é possível termos vários testemunhos de obras realizadas e ainda assim, sermos pessoas que insistem em ter um coração onde o primeiro amor já não existe mais.

Não viver, todos os dias, o primeiro amor é viver distante da fonte da alegria, é privar-se do privilégio de em tempos bem difíceis chorar nos braços do pai. Somos feitos para Deus meus irmãos e nada mais nos satisfará de verdade. O desejo mais profundo do nosso coração é unirmo-nos a ele. Quando deixamos de viver todos os dias o primeiro amor, perdemos as respostas. E nos enchemos de perguntas. Mas o que fazer quando pecamos e fracassamos o que fazer quando a vida está caindo aos pedaços?

A resposta está no fato de que com respeito ao amor ou a falta dele, é que muitas vezes nosso coração encontra-se doente. Doente por falta de afeição, por falta de perdão, doentes por conta da fraqueza diante das tentações, doentes por falta de entusiasmo ou por falta de disposição, doentes, apenas doentes, feridos, machucados. A questão é que aquilo que nos recusamos entregar não pode ser curado. E quando se trata de manter vívido o nosso amor por Deus, precisa ser lembrado que nossas feridas, não precisam ser escondidas. Muitos cristãos estão vivendo em esconderijos, vivendo uma mentira. Negamos a realidade do nosso pecado. Numa tentativa inútil de apagar o passado, privamos os nossos irmãos do nosso dom curador. Se ocultarmos nossas feridas, por temor ou vergonha, nossa escuridão interior não pode ser nem iluminada, nem se torna uma luz para os outros. Mas quando ousamos viver como homens e mulheres perdoados, amados, unimo-nos aos outros feridos e aproximamo-nos ao Senhor Jesus em amor verdadeiro.

Hudson Taylor disse certa vez: “Devemos aprender a medir nossa vida pelas perdas e não pelos ganhos, não pelo vinho (Bem) consumido, mas pelo vinho (Bem) oferecido, pois a força do amor se põe em sacrifício do amor, e aquele que mais sofre mais tem para dar”. Em 1 João 4.10B diz: “Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou seu filho para morrer por nossos pecados”. Nós só o amamos porque ele nos amou primeiro irmãos, ele resolveu nos amar, antes que nos nascêssemos, antes de pensarmos que seríamos impactados por um amor irresistível, Deus estava ali desde já se declarando para nós, em sangue, em dor, em alegria, em amor. “Só pode haver dois amores fundamentais”, escreveu Agostinho, “o amor a Deus, numa negligência do meu eu, ou o amor do eu, numa negligência de Deus”.

Não viver, todos os dias, o primeiro amor, é quando nos recusamos ser nós mesmos até mesmo com Deus – e depois nos perguntamos por que nos falta intimidade com ele. Deus chama seus filhos a um estilo de vida na contramão da cultura, perdoando num mundo que exige olho por olho – quando não coisa pior. Se amar a Deus, no entanto, é o primeiro mandamento, se amar o próximo prova nosso amor por Deus e se é fácil amar os que nos amam, então amar nossos inimigos deve ser o distintivo filial que nos identifica como filhos de Deus.

Vivendo, todos os dias o primeiro amor. Esse é nosso objetivo, como tratamos meus irmãos e irmãs dia após dia, sejam eles arianos, africanos, asiáticos ou latinos; como reajo aos bêbados sem tetos em nossas ruas, cicatrizados pelo pecado; como respondo as interrupções das pessoas com quem antipatizo; como lido com pessoas comuns em sua incredulidade comum, num dia comum, falará a verdade de quem sou mais do que o rótulo que carrego de crente ou a Bíblia que trago debaixo do braço.

Conclusão: A recuperação da paixão começa com um reexame do valor do tesouro. Primeira João 4.18 diz: “No amor não há medo; ao contrário o verdadeiro amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor”. Nosso reexame passa pela análise de que muitas vezes preferimos lascas baratas de vidro à perola de grande preço. Pois “o Reino de Deus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo. Mateus 13.44. O tesouro é Jesus Cristo. Uma coisa é descobrir o tesouro, outra, totalmente diferente, é declarar com determinação implacável e esforço tenaz que ele nos pertence. A paz prometida que o mundo não pode dar encontra-se num relacionamento correto com Deus.

Um comentário:

  1. Fantástico texto. Pensando hoje sobre isso para falar no grupo cheguei a seguinte conclusão: " Preciso de uma auto-reflexão sobre a minha caminhada Cristã." O seu texto confirma o que estava pensando.

    Obrigado. Força, Fé & Entendimento.
    Tiago Lira Vieira

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